Hoje acordei perdida para meus olhos

Hoje acordei perdida para meus olhos

Hoje acordei perdida para meus olhos. Vejo além do que me parece, certo ou errado, esquece, hoje não me convém acertar. Quero o vento e o beijo no rosto e um gosto na boca perto do romã, descansar um cobertor nas minhas costas e um abraço repleto de uma remota vontade de amar. Quero o livro, comer a palavra, me alargar na poesia. E quero a voz, a voz no ouvido, a voz que tem um gemido para me torturar. Quero os pés descansados na areia, ou dentro da meia, ou jogados no ar. Quero a varanda ao invés da casa, quero a paisagem, a folhagem, a aragem, a bobagem de jurar um amor. Quero deixar meus olhos fechados, meus lábios guardados, meu coração chaveado. E quero que você venha, quero que você chegue, quero que você more, quero que demore o tempo de uma vida ao meu lado.

((Cáh Morandi))

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